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"SÓ SE LEMBRARÁ QUEM HOJE VIVER. SÓ HAVERÁ HISTÓRIA AMANHÃ SE HOJE VOCÊ A ESCREVER"

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CARTAS DE AMOR

As cartas falam onde não há palavras faladas
Por medo talvez, ou só por timidez
Ou ainda por cansaço das palavras
Que de tantas vezes ditas se tornaram obsoletas.


Elas choram e sorriem nas mãos dos amores
de olhos apaixonados, que escrevem as cores
da juventude alegre de hoje só lembranças
de casa e de escola, das ruas e da infância.


Quantas histórias guardadas em velhos armários,
dos meninos sonhadores de outrora.
Nas cartas empoeiradas, as letras escondidas,
cenas de paixões nas páginas amareladas.


Hoje eu só queria um papel e uma caneta,
pois já desisti de todas coisas pronunciadas.
Porque a história só se vive uma vez
e resto fica por conta das palavras.


Pelos novos amores, rasguei as velhas cartas
sacrificando a história pra investir na vida.
Forçando o coração a jogar as letras fora
de um tempo que a lembrança não apaga.


Marcos André 

sábado, 15 de outubro de 2011

A FORÇA DO SILÊNCIO

Ah, se os homens conhecessem a força do silêncio,
sua profundidade, seu valor, sua paz...
Ah, se as pessoas entendessem que ouvir
produz muito mais do que falar.

Quantas tragédias seriam evitadas,
quantos filhos ainda teriam os pais.
Quantos casamentos seriam restaurados
e quantos filhos ainda teriam os pais.

Quantos amigos ainda estariam conosco
se não fossem as malditas palavras,
que de tantas que foram,   
algumas saíram mal colocadas.

Ah, se o silêncio estivesse mais presente
na boca de alguns santos imprudentes
que dizem de si mesmo, tantas qualidades 
tantas quantas as palavras podem dizer.

Mas o silêncio tem força,
pode ser mortal e sinistro.
Às vezes ele consente, às vezes reprova,
à vezes acusa, outras vezes ele é misterioso.

Quando alguém se cala,
buscam no seu rosto as palavras,
dos gestos uma resposta, do corpo uma mensagem.
Assim o que se cala é observado com atenção.

A palavra dita após o silêncio
é esperada, é ouvida e apreciada.
Se dita após muitas palavras, logo é ignorada
não é atendida e de todo é rejeitada.

O silêncio ouve mais, sente mais
ajuda mais, como um psicólogo que escuta.
O silêncio melhor aproveita, de tudo que a vida dá,
a oportunidade de ficar calado! 

Marcos André

sábado, 8 de outubro de 2011

O FAROL

Na escuridão das águas de minha vida
passei a infância tentando navegar.
As vezes parecia rio, as vezes parecia mar,
outras vezes calmaria e outras, tormenta.


Mas vida seguia assim, como num mar escuro.
Sem destino certo, sem vida sendo vivida.
Sem esperança de viver coisa alguma.
Todos os projetos foram esquecidos.


Não tinha a maior graça da vida.
Viver aquilo pelo qual se pudesse morrer
Eu vivia tudo que desse pra viver.
Finalmente senti que não tinha graça a vida.


Flutuei à deriva toda a juventude.
Gastando as forças sem viver.
Nada produzi, nada conquistei.
Se foram mar afora as amizades que ganhei.


Há quem me dera um farol naquela época.
Não perderia tanto tempo da infância.
Não viveria morrendo sem pressa.
Não teria tanto para me arrepender!


Já agora porém, há uma luz na escuridão do mar.
Estando eu no limiar dessa idade.
Sei que posso agora navegar.
Uma direção agora eu tenho, posso me lançar.
Sei a onde ir, sei onde vou chegar.


Marcos André (Esperando ver o Mestre) 





sábado, 1 de outubro de 2011

PECADO ORIGINAL

O primeiro foi no céu, o segundo na Terra.
O primeiro foi pelo ego.
O segundo pela tentação.
O mal do primeiro foi a altivez. 
O do segundo foi a desobediência.
Aliás o segundo passou sua desobediência
como herança a todos as pessoas desobedientes.
Enquanto o primeiro veio da mentira
pelo pai da mentira que aliciou um exército 
de rebeldes amotinados, de sorte que foram vencidos.
Assim o segundo arruinou a família dos humanos,
enquanto o primeiro destruiu a terça parte do céu.
Se alguém cai no segundo, lembra o maior desobediente
Se cai no primeiro, lembra o maior dos rebeldes.
A tentação do primeiro é a altivez, o olhar altivo, a arrogância.
A tentação do segundo é a fraqueza carnal e do caráter.
Somos homens numa gangorra da personalidade,
onde pendemos vez pra lá, vez pra cá.
Às vezes somos tentados pela carnalidade, 
outras pela prepotência do ego,
mas ficamos no equilíbrio, no centro da gangorra,
no centro da vontade do Criador.
O autor do primeiro está condenado,
O do segundo pode tentar pelo Sangue
daquele que não pecou.


Marcos André